O lado direito das coisas
João de Castro de Mendia
O 25 de Abril, em definitivo, foi mau para Portugal. Terá sido mesmo, em minha opinião, o que de pior e com piores consequências se passou ao longo da nossa já muito longa História de quase 900 anos.
De nenhuma das crises por que Portugal tem vindo a passar resultaram situações que colocassem em causa a essência do País, nem, muito menos, a sua própria razão de existir. Que foi no que acabou por degenerar o golpe marxista do MFA. Pior; desenvolveu-se, logo desde 74, uma sociedade meio apátrida que deixou de conseguir produzir valores com capacidade para reagir, um dia que essa necessidade se vier a colocar.
Claro que as mudanças eram necessárias, e mesmo ssenciais.
Era o próprio regime a ter essa preocupação e necessidade, até, e os próprios responsáveis a reflectir muito seriamente sobre isso. Mas seriamente, não como quem se vinga de um sistema e toma o poder com a demagogia de um programa de que não foi cumprido nenhum dos seus pontos essenciais. Sobretudo no respeitante ao nosso antigo Ultramar.
O Autor, in Prefácio